domingo, 18 de janeiro de 2015

Região Norte tem primeira queda de urbanização em sete décadas

A região Norte do Brasil teve a primeira queda na taxa de urbanização em 70 anos de pesquisa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2007, a taxa chegou a 76,43%, seu ápice. Mas, no relatório seguinte, em 2010, caiu para 73,53%.



No primeiro relatório do IBGE, feito em 1940, a taxa de urbanização da região Norte era de 27,75%. Até 2007, o número duplicou, chegando a quase 80%, mas pela primeira vez sofreu uma queda, três anos depois.

De acordo com o IBGE, todas as outras regiões do país só apresentam aumento na taxa de urbanização de 1940 a 2010. O Centro-Oeste passou de 21,52% para 88,8%. O Nordeste, de 23,42% para 73,13%. O Sudeste foi de 39,42% a 92,95%. E, por fim, o Sul foi de 27,73% para 84,93%.

Em nível nacional, o Brasil segue o crescimento das regiões (exceto Norte) e também apresenta um aumento considerável da taxa de urbanização nas sete decadas. O país foi de 31,24% para 84,36%.



Salário-mínimo
A urbanização do Brasil se deve, principalmente, pelo caminho que o país tem seguido nas últimas décadas, com um processo de industrialização nas principais capitais. Com a oferta de emprego e qualidade de vida maiores nas cidades, as pessoas do campo têm feito o deslocamento de moradia.

A primeira fase de implementação e consolidação política do salário mínimo para os trabalhadores da zona urbana do Brasil teve pequenas quedas, no fim do primeiro governo Getúlio Vargas. Os avanços começaram a partir da década de 50, com elevação do poder de compra. O período de melhor desempenho é no governo Juscelino Kubistchek (JK), marcado por um intenso processo de industrialização.

No período da ditadura militar, o salário mínimo real se manteve estável no país, com poucos reajustes, e sofreu quedas a partir da década de 80.

Os reajustes ocorridos entre o final de 1994 e 2010 (em real) elevou o salário mínimo de R$ 70 para R$ 510, com reajuste de mais de mais de 700%, com principais mudanças nos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.




Como é possível observar no gráfico acima, na comparação entre a evolução da taxa de urbanização no Acre e o salário mínimo brasileiro, em reais, houve uma estabilização da urbanização nas últimas duas décadas e um crescimento considerável no salário do trabalhador. O atual salário mínimo, que passou a valer em 1º de janeiro de 2015, é de R$ 788.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Redução da maioridade penal: você é a favor ou contra?

Debate foi realizado nos estúdios da rádio web da Ufac
(Foto: João Paulo Maia)
Uma pesquisa do Ibope Inteligência para a TV Globo e O Estado de S. Paulo, de setembro deste ano, mostra que 83% dos brasileiros são a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. 15% são contra. Para conversar sobre o tema, estudantes de Jornalismo da Universidade Federal do Acre (Ufac) realizaram um debate com especialistas no assunto. O encontro foi feito no dia 13 de novembro, nos estúdios da Rádio Ufac Web, em Rio Branco.

O assunto é tema de propostas em tramitação no Senado brasileiro. Há pelo menos três em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). E, pela primeira vez, foi pauta das eleições de governadores, senadores e presidente do Brasil em 2014. No Uruguai, 56% da população rejeitou a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, em outubro deste ano.

Os argumentos prós e contra são vários no debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil. Os que apoiam a redução dizem que um menor de 18 anos pode trabalhar, votar e ter direitos como qualquer outro cidadão, por que não pode responder pelos atos infracionais? Os que são contra argumentam que a redução da maioridade não diminuirá a violência no país e vai inchar as precárias penitenciárias já existentes.


“Certamente as últimas pesquisas demonstram que a sociedade tende a lógica da redução da maioridade penal. Nós, da área social, olhamos com preocupação em relação aos números, mesmo entendendo a população. Esse número é motivado por questões de exceção de atos infracionais cometidos por adolescentes. Sabemos que têm controvérsias, mas o que está em jogo é que já temos uma legislação que pune, que é o Estatuto da Criança e do Adolescente”, defende o diretor de proteção social especial do município de Rio Branco, Fábio Fabrício.

Outro convidado do debate foi o major da Polícia Militar do Acre, José Rosemar Messias. Segundo ele, o setor policial é contra a impunidade em qualquer situação. “Trazemos conceitos e informações que serão ao mitigadas nesse diálogo. Somos contra a impunidade, não apenas das crianças e adolescentes, mas de toda e qualquer tipo. Algumas legislações brasileiras precisam passar por revisão e nossa pratica do dia a dia diz isso. Nós lidamos com a consequência”, destaca.

Para o estudante de Jornalismo Luan César, um dos organizadores, o encontro serviu para colocar em pauta um assunto que precisa ser debatido pela classe estudantil e sociedade. “Tentamos tratar um tema que está em evidência na sociedade brasileira. A maioria da população é a favor da redução, pelos altos índices dos crimes cometidos por menores e a mídia de certa forma tenta construir que isso seria bom. A maioria do nosso grupo não é favorável a redução. Acredito que não é uma medida que vai diminuir o índice de infrações, não vai melhorar nada”, conclui.